Com a recomendação de isolamento, devido à pandemia do novo coronavírus, mais de um terço da população mundial irá ficar em casa.

Segundo dados da agência France Press, isso representa cerca de 3 bilhões de pessoas. O impacto que isso terá sobre as redes de telecomunicações será grande, devido ao aumento do uso de streaming, para acessar vídeos e também para realizar reuniões de trabalho ou em família à distância.

Já prevendo o aumento de tráfego, a UIT (União Internacional de Telecomunicações), agência da ONU que regulamenta o setor, acaba de lançar uma plataforma para coleta e troca de informações sobre como governos e operadoras de telecomunicações estão agindo para garantir o funcionamento dos sistemas que atendem serviços essenciais, empresas e população em geral.

O secretário da UIT, Houlin Zhao, foi enfático ao anunciar que “nunca antes as redes de telecomunicações foram tão vitais para nossa saúde, segurança e manter a economia e sociedade funcionando, como na atual crise que enfrentamos de combate global ao Covid-19.”

As redes de telecomunicações necessitam de muitos cuidados que vão além da manutenção de equipamentos e infraestrutura. Essencialmente, a operação exige o uso de energia elétrica, que envolve um grande desafio para sua geração, transmissão e distribuição no Brasil e no mundo.

Em muitos Estados, a falta de energia elétrica constante, provocadas por pancadas de chuva, descargas atmosféricas e oscilações de tensão, obriga os sites de repetição de sinais a possuírem equipamentos de backup de energia, bem como outras ferramentas e sistemas capazes de mitigar esses surtos.

Além disso, um sistema de telecomunicações resiliente precisa estar livre de interferências que provocam seu mau funcionamento, seja nas redes de voz ou de dados. Essas interferências podem ter diversas causas: elétricas, decorrentes da instalação de equipamentos de baixa qualidade; eletromagnéticas, decorrentes da instalação de radiofrequências clandestinas; ou intermodulação, decorrente de fenômenos da propagação das ondas no espaço radioelétrico.

Dessa forma, todo o processo de licenciamento de radiofrequências que, à primeira vista, pode parecer mera burocracia, é na verdade o mapa da mina para se ter um sistema de telecomunicações robusto e confiável.

Com a radiocomunicação digital, muitos recursos podem ser adicionados à rotina de operação das redes de missão crítica corporativa, de modo a torná-las mais aptas a emergências que impõem novos protocolos e processos, seja no ambiente fabril e de setores ligados à saúde, seja no ambiente público no apoio a setores essenciais como polícias, Guardas Municipais, SAMU, Defesa Civil, entre outros.

Outro ponto importante é que as redes proprietárias, aquelas geridas e administradas pelo próprio usuário, também precisam de cuidado redobrado nesse momento emergencial. Com a correria do dia a dia, é comum deixarmos as medidas preventivas para depois.

Ocorre que esse depois em situações emergenciais, como a que vivemos agora, pode ser tarde demais. O momento pede que todas as entidades que executam o Serviço Limitado Privado façam o quanto antes uma revisão dos sistemas, buscando não apenas discutir tecnologia, mas avaliar e reforçar equipamentos e infraestrutura de rede.

Dentre todas as lições que o Covid-19 deixará para a humanidade estão a importância do planejamento e de separar o essencial do supérfluo.

Fonte: Infraroi