As regiões Sul e Sudeste concentram 83% das conexões de banda larga baseadas em fibra óptica no Brasil. O percentual ultrapassa em muito o peso populacional e econômico dessas duas regiões. Juntas, elas abrigam 56,4% da população brasileira e respondiam por 70,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, em 2016.

Ao fim do primeiro semestre de 2019, quase quatro em cada dez acessos de fibra existentes no país estavam no Estado de São Paulo, refletindo principalmente o peso do mercado corporativo paulista.

Já no encerramento de 2018, o Brasil registrou 5,68 milhões de conexões de fibra, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). E apenas nos seis primeiros meses de 2019, foram adicionados mais de 1,5 milhão de novos acessos com essa tecnologia.

“A expansão de cobertura de FTTH [domicílios em que a fibra óptica estará disponível para contratação] deve continuar a crescer em áreas com atratividade econômica, se tornando o principal vetor de novos clientes de Vivo, Oi, TIM, Algar Telecom e das [operadoras] competitivas”, afirma Renato Pasquini, diretor da Frost & Sullivan no Brasil.

As pequenas e médias empresas de atuação regional — conhecidas no setor como operadoras competitivas — crescem principalmente em mercados não atendidos pelas grandes prestadoras de serviços de telecomunicações.

Números compilados pela consultoria Teleco indicam que, somadas, as operadoras competitivas lideram os mercados de banda larga fixa no Nordeste e no Sul, considerando todas as tecnologias existentes e não apenas a fibra. Especificamente no caso da fibra óptica, são justamente as pequenas e médias operadoras que estão impulsionando a expansão da tecnologia no país, afirma João Moura, presidente executivo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp).

Do total de 7,26 milhões de conexões de fibra óptica existentes no país em junho, quase 60% eram de prestadoras competitivas, segundo informações da Anatel compiladas pela Teleco.

“Dificilmente uma competitiva vai fazer um investimento expressivo em outra tecnologia”, diz Moura. A queda nos preços da própria fibra e dos equipamentos de rede — por conta da sua adoção em larga escala — tornaram a alternativa tecnológica acessível para os pequenos e médios prestadores de serviços.

“A tendência é que as competitivas estejam na fronteira da expansão, menos próximas das grandes concentrações [já atendidas pelas grandes operadoras]”, afirma o presidente da TelComp.

Dos 50 municípios mais populosos do país, 21 estão no Sudeste e 6 no Sul, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As cidades médias e grandes estão presentes em maior número na Região Sudeste, além de estarem menos dispersas geograficamente, na comparação com o Norte e o Centro-Oeste, lembra Eduardo Tude, diretor-presidente da Teleco. Responsável por quase um terço do PIB nacional, o Estado de São Paulo reunia em junho 38,5% das conexões de banda larga fixa de fibra óptica.

Moura explica que a penetração da tecnologia no Sudeste se deu mais rapidamente pelo fato de a região ser ponto de partida das primeiras operadoras de TV por assinatura do país. Hoje, essas empresas são fortes em banda larga fixa. É também a área de maior desenvolvimento de outros serviços de telecomunicações — telefonia fixa e móvel —, o que estimulou a criação de combos (pacotes de serviços) e gerou sinergias favoráveis aos investimentos em fibra, esclarece o presidente da TelComp.

Embora não tenha sido prioridade para os grandes grupos, a região Sul foi beneficiada pela expansão da GVT (adquirida posteriormente pela Telefônica Vivo) e pelo atendimento da Copel Telecom aos pequenos provedores e depois ao varejo, argumenta Moura. O executivo destaca ainda como exemplos, a atuação da BRFibra — uma das maiores prestadoras competitivas do Brasil, com sede no Rio Grande do Sul — e os investimentos da Vogel Telecom e da Algar.

No extremo oposto, os provedores regionais do Nordeste sofreram por muito tempo com a falta de alternativas para contratar conexão internacional à internet e redes de transporte a preços razoáveis. Até três anos atrás, esses eram recursos fornecidos apenas pelas grandes operadoras, sem competição, conta Moura. O enfraquecimento da Oi também pesou favoravelmente às competitivas, já que a operadora, que está em recuperação judicial, é a maior da região.

Fonte: Valor Econômico