Com o avanço da epidemia do coronavírus em várias partes do mundo, as operadoras avaliam o grande aumento do trafego nas redes à medida que mais e mais pessoas começam a adotar o home office, respeitando as diretrizes para ficar em casa e evitar a proliferação da COVID-19.

Com um número crescente de pessoas e empresas trabalhando remotamente, as conferências por voz e vídeo são necessidades diárias, além claro, dos estudos. Os alunos, que antes passavam grande parte do dia nas aulas presenciais, passam agora a utilizar o ensino à distância, demandando mais e mais das conexões.

E com mais pessoas em casa, quando não estão trabalhando ou estudando, a opção escolhida na quarentena é recorrer aos serviços de streaming e às emissoras, aumentando o consumo de vídeos sob demanda, muitas vezes com a transmissão de conteúdo em várias telas simultaneamente.

O aumento da pressão nas redes de banda larga

De acordo com a Television Business International, a expansão do uso dos serviços de streaming aumentou à medida que as pessoas passam mais tempo em casa devido ao isolamento social.

Netflix, YouTube e Amazon Prime, três dos maiores serviços de vídeo on-line do mundo, acataram o pedido da União Europeia e estão reduzindo a qualidade da imagem para a definição padrão na Europa a fim aliviar a pressão na infraestrutura de banda larga.

No Brasil, a Rede Globo anunciou que o Globoplay e os demais serviços de streaming da emissora também terão uma limitação na entrega de dados a partir de segunda-feira (23). A medida tem como objetivo gerar um perfil de consumo de tráfego mais conservador para evitar um possível colapso da infraestrutura de troca de tráfego público e garantir uma experiência de qualidade em todas as plataformas.

Na última terça-feira (24/03), o Facebook, Intagram e Youtube também oficializaram a redução temporária da qualidade dos vídeos transmitidos pelas plataformas no Brasil e a Netflix pretende adotar a medida a partir de 26/03.

O País bateu recorde em volume de dados nas noites dos últimos dias 18 e 19 de março, com 10 terabits sendo enviados por segundo (Tb/s), segundo dados do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Gerenciamento de tráfego mais importante do que nunca

Com todos os diferentes tipos de aplicações consumindo enormes quantidades de banda larga, os serviços críticos (essenciais) e a garantia de acesso a todos são requisitos fundamentais.

Neste momento sem precedentes, os provedores de internet precisam gerenciar o tráfego na rede com rapidez, ao priorizar aplicativos de missão crítica, limitando o tráfego de serviços menos essenciais, otimizando a RAN, a otimização de vídeos, a priorização de diferentes planos de serviço, entre outros.

E o “uso justo”?

Ao priorizar determinado tráfego em detrimento de outro, as operadoras não infringirão as regras de neutralidade da rede, que garantem condições iguais para todos os aplicativos e serviços?

A alternativa é eliminar o tráfego aleatório em todos os sentidos, sem diferenciação. Quando o tráfego fica muito congestionado, é importante eliminar o tráfego não urgente. Isso requer inspeção profunda de pacotes (DPI); identificar, e classificar até o tráfego criptografado e a capacidade de impor políticas para garantir que os serviços de missão crítica continuem a funcionar em toda a rede, de maneira justa, de acordo com a regulamentação.

Soluções que podem ajudar as operadoras

De acordo com Thiago Souza, responsável pela operação brasileira da Allot, fornecedora líder de soluções inovadoras de inteligência e segurança de rede para provedores de serviços em todo o mundo, “com a solução de gerenciamento de congestionamento de QoE (Quality of Experience ou Qualidade da experiência, em português) é possível gerenciar a capacidade da rede com mais eficiência, mesmo em períodos de pico de uso, sem necessariamente precisar investir em atualizações de infraestrutura. Posteriormente, quando for necessário investir, a solução ajudará a minimizar a expansão e a redução de custos”.

A tecnologia DPI, no Allot Service Gateway, monitora automaticamente a qualidade do serviço em locais específicos da rede. Ao monitorar indicadores críticos em tempo real e aplicar o controle de congestionamento orientado por políticas, é possível gerenciar adequadamente o tráfego a qualquer momento ou local da rede.

Com milhões de pessoas trabalhando, aprendendo e consumindo streaming a uma taxa sem precedentes, os provedores de internet também podem adotar algumas medidas para otimizar o gerenciamento das redes:

Priorizar o tráfego crítico, como saúde, educação ou emergência.

Gerenciar o tráfego para aliviar o congestionamento em locais críticos.

Garantir política de uso justo para permitir a máxima acessibilidade e qualidade da rede.

O momento agora é garantir a acessibilidade e o uso justo (entre usuários diferentes) na rede, priorizando serviços e aplicações críticas em detrimento dos serviços de streaming. O funcionamento ininterrupto de ferramentas relacionadas à saúde, aos negócios e à educação é fundamental.

Fonte: Defesanet