Em 2020, devido a pandemia do novo coronavírus, empresas foram forçadas a se reformular e adaptar ao home office. Até escolas e faculdades precisaram se ajustar para moldes a distância. A necessidade da conexão da internet se tornou essencial.

Pela comodidade, diminuição de custos e pela possibilidade de manter o distanciamento social, algumas empresas pretendem estender essa forma de trabalhar. 

Segundo uma pesquisa feita pela consultoria Cushman e Wakefield com 122 executivos de multinacionais, cerca  de  74% das empresas pretendem instituir o home office definitivamente após a pandemia. 25,4%  dos entrevistados relataram que  a experiência do trabalho remoto é totalmente positiva. Enquanto 59% acredita que há mais pontos positivos que negativos.

Ainda de acordo com a pesquisa, 13,1% relataram que há mais pontos negativos do que positivos e 2,5% afirmaram que a experiência é totalmente negativa. Isso pode se dar por questões como não ter o equipamento necessário, a conexão não ser suficiente.

Apesar de todos  os  projetos de desenvolvimento tanto de instituições de estudo  quanto de empresas de variados setores, é válido relembrar que 30% dos domicílios do país não tem acesso a internet.  A informação veio de um levantamento feito pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic),  que foi  feito para identificar os obstáculos no ensino a distância. Outras  dificuldades notadas pelo o estudo foram: falta de espaço para estudar, falta de equipamentos (computadores, notebook),  problemas na conexão

Em março, quando as questões de quarentena estavam se iniciando, a União  Europeia se atentou para um possível congestionamento no tráfego da internet e criou medidas preventivas para evitar que realmente acontecesse. A Comissão Europeia e o Organismo de Reguladores Europeus das Comunicações Eletrônicas criaram um mecanismo que monitora a situação de tráfego da internet em cada Estado-membro. Esse mecanismo acompanha a experiência do utilizador, a evolução do tráfego para evitar que a internet tenha falhas ou fique indisponível.

Já no Brasil, a Anatel – juntamente com empresas do setor de telecom – firmou um compromisso de manter o Brasil  conectado. Organizações como Oi, Tim, Claro, entre outras, assinaram o compromisso em março. 

Nesse  documento estão quatro  principais  medidas para que o país atravesse a crise  da melhor forma possível. Primeiramente, que os serviços de telecomunicações sigam operando mesmo com a mudança no perfil de uso. Cabe às prestadoras adotarem planos de ação para que se cumpra  e para garantir as equipes técnicas, administrativas e de atendimento segurança.

O segundo item aborda os serviços de  saúde e  de segurança pública. Estes devem ter atendimento prioritário pelas prestadoras. A terceira medida visa as dificuldades do consumidor. As prestadoras devem adequar mecanismos e meios alternativos para que a população continue utilizando os  serviços de telecomunicação. Por exemplo, os  meios de pagamento de faturas.O  último termo solicita das prestadoras informações a população, em forma de mensagens de alerta conforme solicitado pelas autoridades competentes.

Foi instaurado pela Anatel e pelas Prestadoras de Serviços de Telecomunicações um gabinete de crise para criar e administrar novas ações coordenadas visando amenizar os efeitos da crise. Assim como a Anatel avaliará constantemente as condições de  tráfego  e  capacidade das redes de telecomunicação, através do  Grupo  de Gestão  de  Riscos  e  Acompanhamento do Desempenho das Redes  de Telecomunicações.

Enquanto isso, há dois projetos de leis  que visam garantir um  auxílio  financeiro destinado a planos  de  internet  para  famílias  de baixa renda. São medidas pensadas para que  alunos do  ensino  público não tenham que abandonar ou se afastar dos estudos por  conta de falta de internet,  já que o ensino a distância se tornou uma realidade.

Também há um projeto que protege o trabalhador home office. A medida obriga o  empregador a levar  em  conta  a  saúde e qualidade de vida do colaborador. A lei pede que o contratante forneça infraestrutura adequada e cubra gastos de internet  e  telefone provenientes do  trabalho.

Devido a crise econômica  também gerada pela pandemia, alguns  provedores estão sofrendo com alta demanda de serviço e inadimplência  dos  clientes. Cada um tem que saber  medir e lidar com seus  clientes, para que não  haja ameaça  ao investimento realizado nem abaixe  a  qualidade  do serviço. O ideal é analisar caso por caso. Uma  das opções debatidas é não desligar os serviços e renegociar as dívidas no  futuro.

O IX.BR, projeto do Comitê Gestor da Internet no Brasil, registrou a  maior curva  crescente nos últimos 6 anos em  relação a tráfego na internet. No início da quarentena, notou-se um aumento de cerca de 15% no pico de tráfego. Logo em seguida, cerca  de  duas  semanas  depois,  houve um decréscimo,  em decorrência de  uma  redução  de banda utilizada por provedores de vídeo pela  internet. 

A pandemia,  afinal,  pode  ser benéfica para o desenvolvimento de tecnologias para controlar as nuances  de dados trafegados. Assim como para políticas que permitam o maior  acesso a  internet  para  diversas populações. Tanto  empresas  quanto  população  estão enfrentando questões que não passavam.

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